30.7.13

Babel

não entendo
nem uma palavra
mas todos os gestos
todos os reflexos
todos os sexos
olhares
têm um
nexo
entre os seres
e as sereias
que nos encantam
com seus cantos
de olhos
abertos

não sei
ao certo
mas sei
do errado
uma parte
e meia
e que de cultura
essa vida
anda cheia

menos canto e mais sereia

pede o repentista
com uma rima
na veia.

Intempérie

uma música singela
a bateria da portela
a cadela dando cria
um, dois atrás dela
o poeta faz poesias
o porteiro na janela

ai que vento sem acento
meu boné na cabeça
dela.

23.7.13

Transformação

há o prazer
e há a dor
há o odor
de sangue e flor
seja como for
nos vemos
no outro
lado
do horror
mais conhecido
apelidado

de
amor.

19.7.13

Eternidade

suas pernas
abertas
são dúvidas
espertas
e a morte
ereta
um dia na
certa

virá te visitar.

Tranquilidade

a noite neutra
caiu como um prato
preto
cobrindo minha neura
com um mar
de serenidade.

17.7.13

Chatice

poetas
são chatos
de galocha
a lembrar
sentimentos
cor de rosa
a quem
debocha
dos sujeitos
ocultos
na prosa.

15.7.13

13.7.13

Saudade cheirosa

minha mãe
usava talco
e saía do banho
quase molhada
falava alto
ria de piada
não era fácil
sentia e dizia
ria e chorava

minha mãe
usava talco
e tal como era
eu
a amava.

4.7.13

Iate clube

um dia
vou viver de brisa
me enfiar num barco
e morrer
à deriva.

Agora é tarde

fiz um poema pra ela
mas ela nunca leu
ou melhor
leu mas não entendeu
que o poema
não era poema

era verdade.