7.9.07

Dependência

sou dono do meu destino
escrevo embaixo
e assino

sou senhor do meu karma
miro o futuro
uso arma

sou proprietário do meu conjugado
ando livremente
no metro quadrado

sou independente do meu verso
morro de medo
e me despeço.

2.9.07

Setembro


quando me lembro

é setembro



sol e vento

resolvendo levar



o que restar

dos meus cabelos



mês de perdas e ganhos

inesquecíveis



dias de pedras e sonhos

intangíveis



há coisas que esqueço

e há as das quais não lembro



é possível

é setembro.


28.8.07

Negro

sou um branco
de alma negra
tenho as pernas bambas
e
no fundo
nenhuma certeza

sou soul music
sou beleza
ando em círculos
faço piruetas
gingo pela vida
rio na mesa

sou um branco
de alma negra

sobre a tela
pálida

pinto poesia
preta.

24.8.07

A paixão

fiquei cafona
perdi o senso
comprei incenso
e rosas vermelhas
vi velas acesas
no fundo dos seus olhos
pedi sobremesas
descansei nas ondas
dos seus cabelos
e não satisfeito
passeei nas curvas
do seu corpo

quando acordei
estavo morto

voltei a ser um
afogado nas rimas
de um lugar-comum.

21.8.07

Mega sena

a sorte se espalha
em números
impávidos
insossos
calados

ante o olhar
leite condensado
das doces esperanças

mega sena
panorâmica imagem
miragem de sonhos

olhares risonhos
ante o medo mortal
de acertar em cheio

e gastar num só meio
toda a ventura reunida
que um dia teremos na vida.

18.8.07

Morte

não existe nada de novo
em nossa natureza

morta

ela sempre bate à porta
dos de vida reta
dos de vida torta

não existe nada a tremer
agora e sempre
a inês é

corta.

16.8.07

Idade

temos a idade
da nossa imaginação
maduro pela manhã
de noite doidão

temos a vaidade
da nossa realização
mal visto no espelho
bendito no salão

temos a realidade
sem graça e sem razão
me mudo pra mim mesmo
e aqui não volto não.

Reflexos

 reflito meu futuro com o olhar do passado sei que morro sei que lagoa sou sujeito à toa que a morte zoa.