11.2.08

Antipoema

quando não há movimento
não há poema
quando não há sentimento
não há poema

quando não há tratamento

ah, há poema

há cura
há quatro
elementos.

3.2.08

Bumbo

beijos confeteiros
abraços serpentinos
somos todos meninos
alucinados de amor e carinho
toquem um samba
sambem um hino
o de cima desce
o de baixo vai subindo
o mundo todo virado
rodando
zunindo
sua imagem agora é risco
colorido
multilindo

parem o bumbo
sou surdo
mudo
e carnavalouco.

30.1.08

30

tem mês que é trinta
tem mês que é vinte e nove
tem mês que se move
pelo ano afora

tem mês que pinta
tem mês que promete
tem mês que se mete
no meio do semestre

tem mês que é tinta
e se escreve pra sempre
na memória calendária
da história transitória
de tantos dias
iguais.

16.1.08

Encontros

um dia o perfeito
encontra o defeito
o pingo chega no chão
o raio racha o céu
o laço envolve o cabelo
o lago sorri pra pedra
o grampo fura o papel

um dia o receio
encontra a coragem
o anel sai do dedo
o vento abre a janela
a flecha corta o ar
o mar bate na areia

um dia o mundo
encontra o universo

fecho os olhos

e desperto.

14.1.08

Aqualung

traço paralelo
entre a vida e a morte
no meio
está cheio

de sorte

viver por esporte
mergulhar só tem graça
de olhos bem abertos
futuro e fôlego
incertos

e um siri
boquiaberto

por perto.

7.1.08

Caldo

janeiro

ferve por inteiro
acende o braseiro
aciona o isqueiro

esquenta o traseiro

que aí vem

fevereiro.

Reflexos

 reflito meu futuro com o olhar do passado sei que morro sei que lagoa sou sujeito à toa que a morte zoa.