11.4.08

yin e yang

vamos equilibrar
esse nosso bang-bang
você atira yin
eu atiro yang
o mundo gira
a gente cai


dois buracos
e muito sangue.

Perfeita

ela fica linda
parada
lá no fundo do meu jardim
ela é perfeita
fixa
lá no centro de mim
ela é exata
não ata
nem mata
o desejo de ser
sempre
eternamente
apenas
assim.

4.4.08

Abril

fechou
mudou de endereço
e nunca mais voltou
passou depressa e fez que não viu
sumiu
tomou chá de sumiço
com destino ignorado
foi morar bem distante lá do outro lado
torcendo pra nunca jamais
ser encontrado
um motivo pra se lembrar
de mim

é o fim.

29.3.08

Dengue




um mosquito

um medo
um apelo

nunca é tarde
nunca é cedo
somos grandes
somos pequenos

demais


para morrer.

21.3.08

O coelho e a galinha


corre-corre-corre
cisca
cisca
cisca
corre-corre-corre
bica
bica
bica
pula-pula-pula
cisca
bica
pia
corre-pula-copula
arrepia
pia
pára

e assim nascem os ovos de páscoa.

17.3.08

Falha

falha no sistema
furo no esquema
fraude no poema

a musa dorme de blusa
sem nada por baixo

a lua não está nem nua
vaga perdida no espaço

a estrela é só centelha
velho fogo fácil

farsa no esquema
força do sistema

furo no poema

aqui a poesia

perde o compasso.

14.3.08

Dia da Poesia

nesse dia
tão poético

minha mãe nasceu

nesse dia
tão patético
lembro que ela morreu

nesse dia
tão tião
lamento o que ela levou

e lavo a alma
na chuva
do que ficou.

Reflexos

 reflito meu futuro com o olhar do passado sei que morro sei que lagoa sou sujeito à toa que a morte zoa.