4.10.09

Devo ser um imbecil

mas essa semana
senti muito orgulho do brasil

orgulho do nosso presidente
orgulho de um futuro recente
orgulho de poder ser inocente

e ler números diferentes

devo ser um imbecil
um só?
não...
acho que já somos milhões
de imbecis

a construir muitos novos brasis

com o perdão dos descontentes
a coragem dos ignorantes
a esperança quase indecente

peço desculpas por me sentir feliz
como nunca antes nesse país...

26.9.09

Bananal

há segundos em que sinto
ser um ser especial
mas logo vêm as horas

bananas

pra provar que sou mesmo

banal.

19.9.09

Mudança


viajando de caminhão
a vida balança

gaiola de passarinho
cama de criança
armário da cozinha
aquele sofá-cama

descendo do caminhão
a vida cansa

hora de arrumar a casa
e planejar
a próxima mudança.

5.9.09

O mendigo

o mendigo rodopia
sem sentido obrigatório
o mendigo perdeu a cor
e o preconceito provisórios
o mendigo ultrapassou o senso
do seu corpo e território

o mendigo é a humanidade
sob a luz
do transitório.

4.9.09

Assalto

outro dia
fui assaltado

sobressalto na rua
bandido pra todo lado

sub uzi no peito
aberto e acelerado

levaram dinheiro
cartões e documentos

abracei minha mulher
o carro saiu varado

os dois ali
parados

fui chamado de coroa
na boa

fiquei bolado
mas não há de ser nada

pensei
sou vacinado

vivo no rio
já vi de tudo

sou do ramo
tô liberado

atiro palavras
disparo teclado

não fode mané como é que é que esse corpo continua fechado?

20.8.09

Vazio

é preciso escrever algo
no vazio
estou cheio
de não dizer nada
e ainda sentir frio

é preciso pensar alto
aqui no Rio
estou farto
da ponte engarrafada
e seu olhar de meio-fio.

10.8.09

UTI da poesia

a poesia nasce, cresce e não morre. mas há momentos em que passa mal. aí vem um ser caridoso e a leva pra UTI. lá, entre cuidados profissionais, entubada e ouvindo bips estranhos... ela sobrevive. até quando?

não deixa a poesia morrer
não deixa o morro acabar
o verso é feito de samba
poemas pra gente cantar

não deixa o verso sambar
nem faz o samba sofrer
a morte é a deixa do bamba
poesia pra ninguém...
ah, deixa pra lá.

Reflexos

 reflito meu futuro com o olhar do passado sei que morro sei que lagoa sou sujeito à toa que a morte zoa.