11.4.10

Temporal

no
topo
coberto
barracos
de sonhos
em fantasias
desmoronam
num temporal
de irreal agonia
nosso mundo cai
na natural tragédia
que todo dia se previa

morro
não é um lugar
é uma sina
onde a história
e a natureza
se combinam.

29.3.10

Pandeiro

achei um samba
ali na esquina
inventei uma sina
e já virei bamba

quis até entrar
numa roda
de tradição
nascido quadrado
me fiz de redondo

pensei que com ferrão
logo seria marimbondo

tomei foi um tapa
bem no meio
do pandeiro

pra aprender que é na lata
que se faz um sambeiro.

17.3.10

Bermuda

meia calça
meio curta
quatro bolsos
uma luta

camiseta
sem estampa
dores no peito
a cada lembrança

meia vida
meio longa
um boné
na cabeça

zonza.

6.3.10

São Pedro

de poemas
e boas intenções
o inferno
está cheio

quero
ir pro céu
com um verso
atravessado
no meio.

20.2.10

Marginal

atravessou a rua
no maior desleixo
andava solto
tipo
deixo não deixo

a correnteza
em volta
não era com ele
a turba e a pressa
passageiras
enchiam a avenida de bobagens
ligeiras

sem eira nem borda
seguiu seu desfecho
sua força
sua calma

são de cair o queixo.

12.2.10

Carnaval, bunda e alegria

a bunda se divide em duas partes:
a de dentro e a de fora

e com muita arte
parte
sem delongas
atrás do bloco
que não tem (e só tem) fantasia
para o povo cantar

a bunda se diverte em duas artes:

e o fio dental
vai fazendo a alegria
euforia na lata

para o povo catar.

8.2.10

Tergiverso

o olho da água é fundo
o sobrenome da jane é fonda
a dor do zagueiro que bate é onda

então se tudo no mundo é torto

eu tergiverso

o voo da águia é reto
o risco do raio é rápido
o ritmo da rapsódia é húngaro

então se tudo nessa vida é vítima

eu tergiverso

até que a neve não seja tão fria
o verão não se faça tão caldo
e o gol mil não pinte de pênalti

então o universo será sem esquema

e eu traveoverso.

Reflexos

 reflito meu futuro com o olhar do passado sei que morro sei que lagoa sou sujeito à toa que a morte zoa.