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Alemanhãs

faz nublado
quando eu passo
e o meu pisante
marcante
marca o meu trajeto
minha tragédia meu tédio deixa marcas
no pisado.
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Poema de Natal (2018/1964)

podem não gostar
mas nós vamos lutar
todo santo dia
ainda que não
acreditemos
em santos
ou na virgem
maria
somos joãos
somos pedros
somos luzias
somos enfermos
sãos
sebastiãos
nesse inferno
brasil
das covardias podem não gostar
mas nós vamos lutar
ainda que o diabo
sorria
somos viados
putas
pobres
negros
mulheres
almas vazias
aquela gente
que morre
todo dia
sem merecer
seu olhar
sua piedade
sua poesia podem não gostar
vocês nunca
gostaram mesmo
mas
um dia
vai chegar
nossa hora e aí será
demasia.

Dupla atroz

de fujão
e de ladrão
cada um
tem um pouco
só não vê
quem não quer
ou não dá tino
ao coco cadê o queiroz?
cadê esse moço? foi chupar
laranja
e os bagos
do bolso.

Brazil, paus e pedradas

meu brasil
do pau
do pé
de goiaba
da laranja
fardada
da verdade
favelada
da pobreza
arrombada meu brasil
do pau
da piroca
da pica
toda
enfiada
no cu
dessa gente
que finge
que deus é pai só pra
aguentar
a porrada
nossa
de cada
dia
até que
a morte
nos una
na última cagada.

Parças

se a parada
é tosca
chama eles
seu parças
parceiros
chegam
falando alto
bando
trupe
gangue de guerreiros se o trampo
é fosco
berra neles
seus parças
parceiros
brigam
no asfalto
povo
time
tropa de fuleiros tumulto?
invasão?
revolução? conto com eles
camaradas
companheiros.