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Mostrando postagens de Abril, 2016

Ato consumado

tinha esquecido
que amar
era esse desaguar
de cores
esse desamarrar
de sapatos
esse desarreio
no mato
esse desmazelo
no quarto essa dor
esse parto e não volto mais.

Violinos

suínos
gemem
seus peitos rasgados
esviscerados
ex-viciados
no vício
da dor.


É bão?

um dia me disseram
"o mundo é bão sebastião"
mas logo vi
que era não o mundo é bundão cuida do cu dos outros
mas num cuida
do irmão
deixa ele morrer
de fome
de golpe
de desilusão diz que deus existe
pra punir
a imperfeição
maltrata mulheres
chama pobre
e preto
de ladrão um dia me disseram
"o mundo era bão sebastião"
logo vi que era
porque ser nunca foi não.

Além

gosto de palavras
assim como quem gosta
de plantas
pedras
ou pneus gosto de vê-las
paralelas
encaixadas
separadas
assimétricas
ou pintadas
em paredes dispostas
em redes
espalhadas
compartilhadas
certas
ou erradas
não importa gosto de palavras e as últimas
não serão minhas
nem suas
nem de ninguém.

No bar

a tristeza
chega
de surpresa
como uma
sobremesa
que não
pedimos
mas pela qual
temos
que pagar
há muito
de mesa
na vida

e no bar.


Belo, recatado e dólar

o brasil
mostra o pau
dá a bunda
se vende
se vicia
se afunda belo
recatado
guarda seu seio
só para os ricos
que mordem
seus bicos que a natureza
pátria
mãe
beija e imunda.

O demo e a democracia

o demo
nunca apoiou
a democracia
o demo
sempre demonstrou
o que queria
o demo
nunca votou
nem fez poesia
o demo
sempre apostará
na mais valia amanhã é dia de mostrar
ao demo
que até o demo
pode ter
seu dia de demofobia.

Maremoto provoca Celacanto

nada acontece
por acaso na verdade tudo
acontece
por acaso mas pensar que o acaso
é ciência
nos dá assim uma sensação
de potência
de domínio
de gerência de controle que não é remoto uma dica: a vida é maremoto
e o mar morto
é mais vivo
do que nunca.

Na Lapa

a gente vai
e vota
a gente vai
e luta
a gente vai
e resiste
a gente vai
e canta porque a praça
é nossa praia
e nos arcos
da esperança
a democracia
balança
sacode mas não dança viva a lapa
viva o sonho
viva o povo que sempre avança.

Afinitudes

afinidades
nos unem
divergências
nos separam
faço discurso
de união mas sei que no fundo somos todos
indiferentes.

Compressor

quando a vida
revida
o tapa
que você não deu quando a outra
face
disfarça
que não te viu quando o justo
sufoca
a voz
que te revela grite
lute
rebata
revolucione-se porque a verdade
é a única
liberdade
que resta ao oprimido.

Mentira

mentira daqui
mentira de lá
mentira
em todo lugar
mentir é bom
mentir é o que há
mentir é fingir
que o que foi
não é
nem será mentira nos coloca
no devido lugar.