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Mostrando postagens de Dezembro, 2016

Natal e poesia

cabe ao poeta
falar de amor
nesse dia? sem medo
da pieguice
da mesmice
e da realidade
fria? ao poeta
tudo cabe
tudo pode
tudo em demasia até porque
tudo vale a pena
tudo serve
tudo é mais valia desde que encha
com um pouco
de sentido
essa existência tão vazia.

Um bom sujeito

o sujeito saiu
disposto
a fazer um poema
que se foda
o tamanho
da alma
se ela é grande
se é pequena
qualquer vida
vale o brinde
qualquer ingresso
vale o cinema o sujeito
saiu com gosto
e voltou
com a alma
toda enfeitada
e uma alegria
que dá até pena.

Prece

ó Senhor
conserta a vida
torta
impura
transversa
desse pobre
poeta
errador ó Senhor
que sempre andou
certo
reto
ereto
tão nobre
santo
protetor ó Senhor
o senhor vai
me fazer
esse obséquio
esse favor
de endireitar
o que anda
errado e acertar
ó Senhor
onde o senhor mesmo errou.

ETs

mundo lugar esquisito
onde a gente
se desencontra o raio
fugindo
da chuva
a mão
sumindo
da luva
o vinho
fingindo
que não uva mundo lugar perdido
onde a gente
quase se encontra.

Fulos da vida

fulano teve um filho
fulaninho
fulanito
bonitinho
bonito
o fato é que fulaninho
cresceu
e virou
o ilustre fulanão
famosão
fodalhão
maior que o pai
melhor que o
velho
e muito mais bem
sucedido fulano envelheceu
fodidão
fodidito
mas isso é só
um detalhe
nesse mundo
esquisitão muito esquisito.

Monastério

há na solidão
um mistério
muitos
não o levam
a sério
mas é assim

isolado

que encontro
o real sentido
de ter estado

tão só

ao seu lado.