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Mostrando postagens de Dezembro, 2010

O fim do mundo

quando o meu mundo acabar
será o fim do meu sonho
da baba na fronha
dos destinos imperfeitos

quando o meu mundo acabar
será o fim do meu direito
do medo das perdas
dos ganhos imerecidos

quando o meu mundo acabar
será com uma profecia
dos maias que desmaiam
dos nostradamus invertidos

quando o meu mundo acabar
será tarde demais pra mim
dizer sim aos que disse não
discordar mesmo sem razão

quando o meu mundo acabar
o mundo de todos os outros...

acabará também

afinal só existirá mundo
quando eu acordar
e todos os anjos disserem

amém.

Uma história natalina

Essa história me foi narrada pelo meu pai que, aos 81 anos, é cada vez mais ele mesmo. Livre das amarras da maturidade e da produtividade, dos exageros da juventude e fantasias da infância, vive seus hábitos de velho com uma serenidade sensível.
São os hábitos que o levam toda manhã para um lanche na padaria. É a sensibilidade que o faz desprezar a avalanche de coisas concretas enquanto presta atenção às irrelevâncias do cotidiano. Coisas e pessoas irrelevantes como o pobre casal de negros tomando café a seu lado. Média e pão com manteiga simples para gente com roupas surradas mas muito limpas. Havia também um menino pequeno, que o pai tratava com carinho e atenção.
- Tá quente o café com leite pai... - Deixa o papai assoprar. Vamos, tome com cuidado.
O café era quente, mas ainda assim esfriou. O pão era pouco, mas ainda assim sobrou. A mãe pediu à garconete que embrulhasse o restante para viagem. Meu pai, sem saber muito bem porque a cena o comovia, pediu à moça que desse uma sacolinha p…