12.6.09

Ineditismo

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nenhuma poesia é inédita
como sonhar

com o primeiro beijo
com a novidade nua
com a intimidade sua
com a tranquilidade toda

depois

dane-se que a língua é fria
como a saliva
da trepada
há prisões eternas
no calor
daquelas suas pernas.

10.6.09

Namorada

mulher amada
naturalmente pelada
faca amolada

mulher menina
totalmente assassina
me contamina

mulher madura
fatalmente obscura
sem frescura

mulher nervosa
será que uma rosa
resolve
você?

5.6.09

Guerra

gosto de fazer
de cada palavra
uma bala
de cada rima
uma bomba
você zomba
mas eu estou na guerra
e meu prazer não se encerra

no simples gesto

de matar

vou fazer você sofrer
letra por letra
vou tocar
p-u-n-h-e-t-a
bem em cima
do seu ser.

1.6.09

Chuva

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céu de chumbo
asfalto e cimento
água e vento.

Submundo

saiu pra dar uma volta
e não voltou
dobrou a esquina
e ainda por cima
nunca desdobrou

caiu num bueiro?

sumiu como um desaparecido
desapareceu como um sumido
tomou chá de sumiço
sem açúcar nem despedida

não foi mas visto nessa vida
em qualquer rua
ou avenida

saiu pra dar uma volta
e o que revolta
revira e mata
salta
encanta
e espanta
assalta e desmonta

é que nunca
mas nunca
mesmo mais
voltou.

27.5.09

Sono

dormir
só pra ter certeza
de que vale a pena sonhar

roncar
só pra garantir
que alguém vai me escutar

acordar
porque dormir cansa
e chegou a hora de fazer o tempo ir passear.

24.5.09

Cinquentão


não sei se mereço

um selo
um solo
um soco
um suco

sou um saco de sacadas

solto palavras
certas ou erradas

sigo errante pelo mundo
naquele caminho que

como sabemos

sempre leva ao nada.

Reflexos

 reflito meu futuro com o olhar do passado sei que morro sei que lagoa sou sujeito à toa que a morte zoa.