
em pé na praia
cercado de areia e mar
sou uma ilha de medos
uma pilha de conchas
no triste enredo
das ondas
vivo entre sol e sombras
e sobre as costas arde
o sal das culpas sem perdão
enquanto os pés afundam
na espuma confusa
das marés
vejo ancorado o entardecer
sou navio afundado
para sempre
sou pescador de tatuís
inocentes
não
sou asa
sou vela
sou valsa
quero encontrar meu continente.
