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Polícia

polícia para quem precisa
indecisa
a rua à deriva
maldade em carne viva
descaso em carne e osso
quem morre
é pobre
é povo
sempre
quase sempre
ou de novo
polícia para quem
precisa
objetiva
fugitiva
toma iniciativa
não há viva alma
nem alma viva
nem sociedade alternativa
herança em cores
na televisão
o nosso pavilhão:

o verde do nosso limo
o amarelo nosso cínico
o azul nossa frieza
o branco nosso esquecimento

cimento do ano novo
quem morreu
morreu de novo
esquece
é o povo.

Comentários

Tião Martins disse…
Pior que a diferença, só mesmo a indiferença diante da diferença.
Bia disse…
Apoiado! É verdade mesmo, mas, cada vez mais, me sinto mais impotente, incapaz de mudar tudo isso... é triste, mas é assim que me sinto... alguém que vê e não consegue consertar... droga!
maria e josé disse…
ótimo poema, muito vergonhoso para a nossa polícia

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Tiradentes

joaquim josé da silva xavier
foi pro tudo ou nada
foi pro que desse e viesse
foi apresentado ao laço
foi dividido em pedaços
espalhado
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mas não fizeste mal
joaquim

cortaste um dobrado
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tenho dito
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As moiras

tecem o nosso destino
seja você
santo ou assassino
gente ou pedra
velho ou menino

as moiras

não se divertem
apenas fiam, medem
cortam
nossa vida em pedacinhos
grandes ou pequeninos

às moiras

tanto faz se sofremos
ou gozamos
de onde viemos
para onde vamos
se somos sãos ou insanos

as moiras sempre existiram
são o que há
resistiram
e resistirão
ao passar
dos anos.

Fisioterapia

massageie o ego
ponha gelo na consciência
faça acupuntura da realidade
alongue os limites da imaginação

será que existe alguém nesse planeta
que possa se considerar inteiramente são?

são coisas da vida
celulites da paixão
estrias do pensamento
artrites da razão

corrija sua postura
flexione até o dedão
saiba que a existência é dura
mas tem fisioterapia
arte
e
emoção.